Continuas
entranhado em mim.
Não há tempo, não há distância enorme, não há carga de trabalho, não há
toda uma vida familiar super exigente, não há amiga sempre ao meu lado, não há
nada…. Que me faça desentranhar-te de mim.
Não há como…. Por mais que pense bem no que se passou há meses, que foi
curto e talvez não merecesse todo o tempo que dediquei a pensar em ti, a imaginar
sabe Deus o quê sobre nós, não há como…
De tempos em tempos, pelos mais diversos e simples motivos, lá voltas tu a
assombrar-me os pensamentos… e é isto literalmente isto: assombrar-me.
Na realidade, embora achasse que sim, não estou certa do que aconteceria se
tivesse notícias tuas, se te visse…. Sempre que me assombras os pensamentos, o
meu coração fica pequenino e algo se reabre; um género de uma ferida pequenina,
porque eu não permito que seja maior (apenas isso consigo controlar), um buraco
que naquele instante parece sugar todo o meu ar, algures junto ao meu coração….
Embora já com muito menor frequência, quando me assombras, há dias em que é
passageiro e consigo fácil e rapidamente enxotar-te; mas depois há outros como
este, em que tenho de deitar cá para fora…. Não sei bem o que… mas tenho….
Desde esta manhã que me tens estado a assombrar, com intervalos, e só
escrevendo me exorcizo.
Claro que estou a ouvir o The Scientist enquanto decorre o exorcismo…
Pena é que não seja o último…. Acho que ainda terei de fazer isto umas
quantas vezes mais até conseguir a limpeza total.
Ou encontrar alguém que se entranhe em mim mais do que tu conseguiste, mais
profundamente, fazendo com que me apaixone perdidamente, e me faça acreditar
que realmente vale a pena apostar pelo imenso amor que lhe sinta.
Mas não é fácil porque o nosso assunto não ficou terminado… e isso para mim
é devastador emocionalmente….
Não foste justo, não foste correcto, manténs esta assombração pelas últimas
atitudes, tão contrastantes com as iniciais…
É isso que me magoa, que me dói, por vezes me rasga o coração (sim, ainda
por vezes…..) que não me deixa avançar livremente sem assombrações, sem medos,
sem reticencias em relação a todos os outros….
Onde estão as palavras maravilhosas que me fizeram ficar encantada e arrebatada?
Onde está o sorriso, por vezes envergonhado, quando tínhamos as nossas
conversas em que te elogiava? Onde estão as atitudes que me faziam sentir
alguém tão especial? Única mesmo? Porque nunca concretizaste coisas que me disseste
serem possíveis e que desejavas que acontecessem? Porque não tiveste a coragem,
a hombridade, a decência, doesse a quem doesse de me explicares tudo, se
querias mesmo ou não, se tinha deixado de ser uma prioridade ou o que e como
pretendias fazer?
E eu? Porque me deixei levar, porque permiti que as expectativas subissem
tanta? Eu já deveria saber!
Mas há tantas coisas que não controlamos, infelizmente…..
Pelo menos agora já posso dizer que já controlo as expectativas, não espero
nada de especial de ninguém….
E politicamente correcto ou não, não me interessa: espero que eu também te
tenha ficado entranhada, e que apesar do sucesso profissional que possas estar
a ter, desejo que não tenhas descanso emocional, que não encontres outra em
quem te entranhes assim, e que tenhas consciência disso, por que isso era tão
importante para ti, toda a sintonia e toda a química que tínhamos. Para além de
que celebrar contigo todos os passinhos que ias dando e em que eras bem-sucedido,
algo que te fazia muito feliz….
E será que
imaginas o quanto entranhado estás em mim?
Resta-me
deixar passar o tempo e ir matando esta assombração ou quem sabe…….
The Scientist - Coldplay
http://www.youtube.com/watch?v=mUB3yGWEa2s

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