quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A conversa sem palavras …



As saudades eram imensas.

Não se viam havia 2 meses, os quais pareciam ter sido uma eternidade, porque nunca antes tinha passado tanto tempo sem se verem, sem se olharem, sem sentirem a presença um do outro.

Em vez dele a ir buscar ao aeroporto, encontraram-se na praia, onde tinham começado a namorar.

Aproximaram-se um do outro e os corações batiam tão forte, mas tão forte, que cada um ouvia as batidas do outro.

Começou assim a conversa sem palavras.

Quando estavam a meio metro um do outro pararam porque, a emoção de se verem e sentirem, o fim das saudades loucas que tinham um do outro, o estarem onde estavam e as lembranças que se misturavam com aqueles sentimentos fortes, precisavam de se olhar bem primeiro e porem os corações com uma batida algo mais lenta…J

Depois…. Depois veio o toque… As mãos de cada um tocaram no outro… Na cara, no cabelo, no pescoço, lembravam-se tão bem do toque um do outro…. Do cheiro do outro… Da sensação única de estarem com o outro….

Depois… Depois veio o abraço… Apertado, tão apertado, como se não houvesse amanhã… Como que a matar as saudades sentidas pelo afastamento de 2 meses…

Depois… Depois veio o beijo… E outro… E muitos mais…. Suaves, leves, intensos, imensos, sem se descolarem durante muito tempo…

Depois… Depois veio o olhar de novo…. Não havia palavras que descrevessem o que sentiam e por isso olhavam-se… Os olhos sorriam de pura felicidade, diziam como era bom ver-te, como era bom sentir-te aqui ao pé de mim de novo, como era bom ter-te sentido de novo tão junto a mim…..

Depois… Depois veio a pergunta no olhar, mas que ambos responderam com um sorriso que não levantava qualquer dúvida: Vamos fazer amor? J

 

 

Se eu fosse um dia o teu olhar - Pedro Abrunhosa

A altura certa, a altura errada…



 
 
Encontrarmos alguém errado numa altura certa não é realmente o ideal. Para mim, a altura certa será quando estamos predispostos a ter uma relação com alguém, a darmo-nos a alguém, a sermos de alguém, a que alguém seja nosso (sem grandes sentidos de possessividade…).

Mas pronto, chegamos à conclusão que essa não é a pessoa certa e paciência, continuamos o nosso caminho…. Não costuma doer muito, porque desde o início que deveremos perceber que algo não encaixa bem. Seja lá o que for “esse algo”…

O problema mesmo é encontrarmos a pessoa certa no momento errado. Aí é uma desgraça emocional. Não há nada que nos valha!

Eu já tive a pessoa certa no momento certo, as pessoas erradas no momento certo e a pessoa certa no momento errado….. E neste ultimo caso…..

Tive de ser uma verdadeira super mulher a fingir ser uma mulher de ferro, a fingir ser uma mulher de armas e uma mulher com força. Tive de transformar cada ataque de lágrimas súbito, cada rio de lágrimas avassaladoras, num sorriso semi aberto, amarelado, numa tentativa de fazer umas piadas e ir até à igreja (eu que sou agnóstica…mas espiritual) para estar no silêncio absoluto, para alguma paz entrar em mim e poder continuar esse dia e os seguintes.

E esta super mulher teve de suportar estas transformações diariamente, às vezes mais do que uma vez por dia, por vezes achando que não ía conseguir, achando que a dor era insuportável, e já seca de lágrimas num dia e no seguinte outro rio delas a surgir de repente, por qualquer motivo de mínima relevância.

Por isso agora, graças a Deus, o meu coração remendado está forte, mas algo anestesiado e em suspenso, suspenso até….

Mas ter a pessoa certa no momento certo…. É algo de inimaginável para quem nunca teve… E eu já tive e fui mega feliz!!!!!!!!!!!!!!!! J

  

I Was Born To Love You - Queen

http://www.youtube.com/watch?v=gDlUc7rmfvY

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Fazer limpezas!




Não há nada como limpar conhecidos, pseudo-amigos, outras que foram e já não são e ainda aqueles com quem a ligação foi “supérflua”, independentemente da sua natureza, do FaceBook!

Dá-nos uma sensação de leveza….. LOL

Por outro lado, o que fazer quanto aos números de telefone? E os sms?????? Os sms???? Aqueles que nos disseram coisas lindas, maravilhosas, de tirar o folego?

Ora aí está a grande questão!

Podemos limpar aquilo tudo, senão formos muito nostálgicos e num momento de fúria é o que acontece logo em primeiro lugar! Se nos ligarem, nem sabemos quem é, e podemos fazer um ar de frete quando essa pessoa se identificar e dizer: “Ah! Já nem tinha aqui o teu número… Não valia a pena estar a ocupar-me a memória do telemóvel….”

Também podemos manter o número, e acrescentar ao nome da pessoa uma obscenidade, porque nos dá prazer e porque no caso, raro claro, dessa pessoa nos ligar, imediatamente ficamos em estado de alerta através da obscenidade no visor, respiramos fundo e: ou atendemos com um ar muito displicente e desapegado, ou desligamos a chamada na cara da dita cuja pessoa.

No entanto, eu sou uma moça nostálgica…. E gosto de guardar sms…. Enfim… loucuras, de uma louca saudável…. J

Mas os números… ai esses vão todos à vida! (pronto, confesso que os guardo num sítio esconso, onde nem me lembro onde está…. pode alguma vez vir a ser útil… para mim claro…. Porque ser útil para o outro é para o lado em que durmo melhor…).

E sim, quando conseguirmos ter tudo digerido, conseguimos então a conquista de sabermos que aquela pessoa significou aquilo que significou na altura e que agora….. já não interessa para nada…

É caso para dizer que me daria muito prazer antes de qualquer das atitudes aqui descritas ter-lhes dado “com um pano encharcado nas trombas” ou “com um gato morto nas trombas até ele miar”, e vingar-me um pouco…. LOL

 

How Can You Mend A Broken Heart - Diana Krall


 

O que a música nos faz!


 
É a mais pura das verdades!!! Mas é mesmo!!!
Tenho a certeza que isto acontece a muita gente, pelo menos a quem adora música, a quem faz associações de tudo e mais alguma coisas a outras coisas como eu.
Já me disseram que eu era a mulher mais “fetichista” que já tinham conhecido….! J
Lembro-me de datas de acontecimentos de há anos, bons ou maus, esforçando-me muito por esquecer cada vez mais os maus, ou como eu digo, esforço-me para que me vão para o fundo da nuca!
Mas em relação à música…. É uma carga de trabalhos!!! O número de vezes que tive ataques de choro convulsivo por de repente começar a ouvir uma música! Ou até chorar por felicidade…
A minha técnica é nos primeiros tempos em que dói muito não ouvir a música, ao mesmo tempo que me esforço por matar a dor que me corrói. Só que às vezes demora meses…. E então, vou começando a ouvi-la como terapia, para chorar, ok, mas para ver se vou suportando…
Sim porque habitualmente são sempre músicas que adoro, e que as “conjugo” em determinado momento com alguém, e depois, claro, dá mau resultado a relação com esse alguém….
É que um dos meus problemas é ser “muito persistente e repetitiva” a ouvir músicas que gosto (o mesmo se aplica a outras coisas na minha vida, mas isso fica para outra altura…). Sim não exagero se disser que já ouvi 20 ou 30 vezes a mesma música, ou que nos CD’s do carro (agora já uso uma pen) gravava a mesma música 3 ou 4 vezes para não ter de andar para a frente e para trás com o CD.
Enfim, aquelas minhas coisas de louca saudável…. Quem me conhece bem…. Sabe a enorme verdade que estou a contar …LOOOOOOOOOOLL
Mas também há alturas em que a música nos leva a sítios ou pessoas ou situações de imensa alegria e isso é….. maravilhoso!!!!!!!!! É mesmo das melhores sensações para mim!!!
E aí canto, canto, grito, canto, salto e danço se for caso disso!
Obrigada a quem faz musica, a quem escreve letras/poemas do outro mundo para encaixar num conjunto de sons magnífico, proporcionando-nos momentos de imensa felicidade, tranquilidade, bem-estar e boas recordações!
  
'I Don't Want to Miss a Thing' - Steven Tyler & Joe Perry


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Acabava sempre por cair de pé!



Ela acordou e a cama estava vazia ao seu lado.

Já era tarde, felizmente era fim-de-semana, e começou a lembrar-se do que se tinha passado na noite anterior e porque tinha dormido tão mal, porque se sentia tão vazia, tão desamparada de repente.

No entanto, ao mesmo tempo, a sua cabeça, que começava a trabalhar com alguma velocidade, também lhe dizia que na realidade tinha sido inevitável chegar a este ponto.

Sabia bem que os sinais já se apresentavam há muito, muito tempo e que ela tinha optado por ignorá-los.

Mas, se o tinha assim decidido devia-se ao facto de estar farta, farta, farta, de tentar compor a relação, de tentar o diálogo, insistir até à exaustão e não conseguir nada, uma mera conversa…

Anos antes, quando a relação tinha começado, era maravilhoso: o entendimento entre ambos em todos os aspectos, a sintonia, as conversas intermináveis, o prazer de estarem apenas em silêncio, o lerem um para o outro, os fins-de-semana fora de Lisboa com que ele a surpreendia, as outras atitudes que ele tinha para a surpreender e maravilhar e que ela adorava, e correspondia dedicando-se de corpo e alma a ele.

Depois vieram os filhos….Muito desejados mas que sempre provocam um turbilhão na vida de um casal, embora sejam uma bênção e seja sempre um milagre (uso esta palavra não no sentido estrito mas lato) o nascimento de um bebé perfeito, sem problemas de maior, os típicos de qualquer recém-nascido e depois com alguns meses.

E veio também a ascensão profissional dela… com a qual ele não conseguiu lidar totalmente bem.

Esta situação a acrescer ao facto dos filhos também lhe roubarem a ela precioso tempo que antes era todo para ele….

Mas ela fazia tudo e carregava o mundo às costas se fosse preciso… com ele ou sem ele… mas tentou milhares de vezes o diálogo para que a relação se compusesse e sem sucesso.

E assim na véspera, porque ele não tinha aceite uma separação e queria logo o divórcio, ela ficara sozinha em casa, definitivamente, com os seus filhos.

Nada havia a fazer… o tempo trataria de ir arranjado as coisas da melhor forma, e ela teria de ser forte, uma mulher de armas e tratar de tudo sozinho, o que alias já vinha fazendo há um ano ou dois.

Pelo menos não tinha “um peso morto” ao seu lado, irritando-a com a sua inércia e pouco apoio familiar.

Depois deste monólogo consigo própria, espreguiçou-se muito, esticou-se ainda mais, levantou-se para ir esborrachar as suas crias com beijos, elas que já estavam a ver TV, desenhos animados e coisas afim, e para lhes ir preparar o pequeno-almoço.

E assim começava uma nova fase da sua vida.

Parecia um gato, que dizem ter várias vidas, mas que cai sempre de pé.

Assim era ela, mulher de armas e acabava sempre por cair de pé!



It's Raining Again - Supertramp


 


domingo, 15 de setembro de 2013

Naquela manha.....



 

Naquela manha ela esta absolutamente em lágrimas. Tinha acabado de ler uns textos maravilhosos de um amigo que a deixaram no chão das emoções…

Ela tentava controlar-se mas os pensamentos dela estavam revoltos:

“Há uma parte de mim que precisa de estar apaixonada, precisa de dar muito e de receber!

Não é algo obrigatório para a minha existência, claro que não é, mas sim para a minha felicidade!

Para mim é vital viver, viver tudo, sentir tudo, sem perder um minuto e há muito que ando a perder esta parte vital da minha vida!

Já nem o quero a ele, tenho-me enganado, o que quero mesmo é apaixonar-me perdidamente, não sei se como antes ou de uma maneira absolutamente incompreensível, para lá deste mundo, com quem, pela ultima vez possa sentir-me electrizada, drogada de felicidade, sentir-me acompanhada, ser a verdadeira louca saudável, sentir que apenas isto me faltava para ser totalmente abençoada, mesmo quando as coisas correm menos bem….
 

Mas não podia fazer nada…..

Remexia sempre nos pensamentos e sentimentos de há quase um ano, mas na realidade eram apenas efémeros, mas era algo desse género, de novo e muito mais avassalador que ela queria……”
 
 
Fix you - Coldplay
http://www.youtube.com/watch?v=m79R4BxErFU

domingo, 8 de setembro de 2013

Aquele...


 
 
 
....que me faz sentir de novo com a ingenuidade/inocência dos 16 anos, mas com a consciência/sorte de experienciar 40 anos; 
....que me arrebata, devagar, em crescendo, de surpresa, maravilhosamente, até ao ponto de êxtase;
....que me provoca e me faz rir descontroladamente;

....que docemente, por palavras e atos, me faz ficar agarrada;
....que começa, sorrateiramente, a fazer-me entrar na sua pele e a entranhar-se na minha;
....para quem é mais importante para mim satisfazer do que a mim própria;
....com quem a química inexplicável é enorme e provoca grandes reações;
....com quem se volta a sentir que "é aquele"...;
....com quem se percebe porque antes não foi com outro....;
....com quem a ausência sentida tem o peso do mundo e quase asfixia;
....com quem o nascer de uma nova vida faria todo o sentido, neste mundo sem sentido tantas vezes;
....com quem o usufruir do entardecer da vida seria uma bênção...

Without You - Eddie Vedder
http://www.youtube.com/watch?v=b8Ypkv-2ADs

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Multicolor!!!!!!!!!!!!!!!!!



Ela acordou, com o corpo algo moído dos últimos 2 dias de férias com os filhos… as actividades tinham sido muitas e de vez em quando ela pensava: “Já tou velha para estas coisas todas…”.

Mas depois sorria porque por dentro sinta-se uma miúda, ainda uma miúda, sinta-se como se ainda fosse entrar para a faculdade. Bons tempos….

Espreguiçou-se muito, jiboiou, esticou-se toda e depois puxou o laptop e abriu as suas janelas para o mundo J.

Eis se não quando…. Tinha um mail de resposta que a deixou mega feliz! Uma proposta para publicar textos seus! Ela estava incrédula, sentiu-se tão bem e orgulhosa! Estava a precisar disto!

Leu e releu 2 ou 3 vezes para ter a certeza do que estava a ser-lhe oferecido.

O dia começou tão bem e sentia-se cheia de energia boa, era como se visse o mundo através de um arco-íris, de repente as poucas angústias que carregava desde há algum tempo desaparecerem como que por magia!

Só por ler aquilo, ainda sem saber se aceitaria, teria de falar com um amigo que trabalhava naquela área para se aconselhar, sentia-se alegre como o amarelo, esperançosa como o verde, tranquila como o azul, poderosa como o encarnado, fresca como o laranja, especial como o índigo, e no geral feliz como o violeta, cor que sempre adorou!

O dia ficou mesmo diferente!

Desde há meses, em que começara a escrever, aquilo que sentia, ou aquilo que lhe apetecia por um motivo ou por outro, que acalentava a esperança de poder editar os seus textos, de os partilhar com o mundo. Porque era comunicativa, porque gostava de ler o que alguns outros escreviam e apoiava-os imenso, porque gostava de diversificar os projectos em que se envolvia, se bem que lhe sobrava pouco tempo para aquilo de que gostava.

A sua vida profissional era um bom espelho disso. Desde a sua formação académica até à sua actual posição profissional, o seu percurso era ecléctico e tinha-lhe dado um prazer enorme! Tinha trabalhado sempre muito, sempre a interessar-se por novas áreas, novos conhecimentos, e agora isto!

Mas os textos escritos foram-no sempre em alturas de alguma forma especial: ou porque estava lavada em lagrimas e precisava de se exorcizar, ou porque queria transmitir ao mundo a sua opinião sobre qualquer coisa, ou porque estava muito feliz com algo, e todos estes motivos a faziam escrever. Alias, ao longo dos anos, em certas alturas da sua vida tinha mantido um diário.

Na sua cabeça organizou como iria decorrer o dia, com afazeres previstos seus e dos seus filhos e foi-se arranjar, com uma leveza que já há muito não sentia……

Realmente, era verdade…. A persistência é uma qualidade deveras importante e também o nunca desistir de começar e continuar algo que nos entusiasma, que nos faz bem à alma!!!!


Somewhere Over the Rainbow - Judy Garland



domingo, 1 de setembro de 2013

Podes vir acalmar a minha desinquietação?


Mal posso esperar por te ter!

Preciso de ti esta noite! Preciso do teu cheiro, do teu calor, que me envolve toda mal me começas a tocar, preciso do teu toque, que te deslizes por mim toda, que me provoques aqueles calafrios únicos, quero saborear-te todo e que quero ser saboreada....
 
Podes vir acalmar a minha desinquietação? Sabes que quando fico assim não consigo dormir....
 
Desliza-te para junto de mim.... Vamos mover-nos e dançar como só nós sabemos fazer em conjunto...
 
Em que a sincronia é perfeita, o tempo em que cada gesto é feito está perfeitamente coordenado de parte a parte, as nossas bocas e mãos tocam-se e pelos nossos corpos de forma intensa, forte, cheias de desejo que vamos prolongando até aquele momento mágico e fabuloso em que já nada mais conta, em que temos mesmo de nos fundir por completo, até ao último fôlego!
 
Mas se possível.... repetimos tudo de novo, como se pela primeira vez fosse......
 
 

 Need You Tonight - INXS
http://www.youtube.com/watch?v=w-rv2BQa2OU

Seria preciso ir a uma mãe de santo?????



Era fim-de-semana. Estava uma tarde muito agradável e ela sentia-se tranquila, de bem com a vida, e tinha decidido ver um filme de que lhe tinha falado e o qual já tinha “pirateado”, escolhido entre vários do computador.

Começou a vê-lo e quando percebeu que era um filme baseado num livro do Nicholas Sparks pensou: “Está o caldo entornado!”… Mas encheu-se de coragem e enfrentou-o…. J

A dada altura voltaram-lhe à memória lembranças que instantaneamente provocaram um mar de lagrimas, incontrolável….

Aquela paixão que se via nascer entre um militar das forças especiais, alto, bem constituído, muito reservado e que sorria com dificuldade e ela, uma rapariga muito desenvolta, sempre de boa disposição e que se interessou por ele, pela forma de ser dele e a química que imediatamente se estabeleceu…. Era o que lhe tinha acontecido no passado recente.

Com a enorme similitude e agravante de que ao fim de 2 semanas se iriam separar, ele para nova missão secreta e ela de volta para a faculdade. Logo aí o seu sistema respiratório ficou a funcionar algo pior…. A traqueia apertada e o coração a começar a apertar-se.

Mas corajosamente continuou a ver o filme, aliás era o seu tipo de filme preferido, claro.

E chegou a hora da separação e atendendo às funções dele, não se podiam telefonar, não podiam usar o skype, pois nem net existia pelos sítios onde ele andava, por isso escreviam-se, escreviam-se muito, para se sentirem perto um do outro.

Tinham feito essa promessa um ao outro até se reencontrarem daí a um ano quando ele acabasse definitivamente a sua comissão de serviço.

E ela pensava: como é que alguém que arriscava a vida todos os dias, sem saber o que lhe iria acontecer daí a 5 mins, 1 hora ou no dia seguinte, tinha tempo para lhe escrever todos os dias, nem que fosse uma pequena carta e ele tinha de repente deixado de ter meia hora para falar com ela todos os dias ou alguns dias na semana???

Por muito ocupado que estivesse, entre 2 empregos, porque tinha decidido manter o anterior por lhe terem pedido muito e os estudos avançados e investigação que fazia, como tinha deixado tao facilmente de ter tempo para ela? Como tinha tido a indecência de deixar morrer as coisas sem uma conversa, por mais que ela insistisse, e ele fosse dizendo que estava tudo igual para ele, desde os poucos dias em que tinham estado juntos algures na Europa, meses antes? Porque não tinha tido a hombridade de lhe dizer que ela não era assim tao importante??? Será que ela tinha sido assim tão insignificante que não merecesse uma explicação, palavras vindas da boca dele a darem-lhe alguma justificação?????

Teria sido muito mais decente e encerrar o assunto e ela fazer o luto….

É sabido que assuntos mal resolvidos e mal falados só fazem mal… a quem gosta, a quem sente falta, a quem sofre pela ausência de qualquer tipo de contacto….

Ela punha a hipótese de ele até realmente gostar verdadeiramente dela, mas querer outras prioridades no momento, sendo anos mais novo e estando numa altura crucial da sua vida profissional, e nem conseguir ter coragem para falar com ela e terminar tudo… ser ele a faze-lo… sim porque os homens conseguem ser uns verdadeiros analfabetos emocionais por vezes (vezes demais, na minha humilde opinião…)…..

E ela, chorando, chorando, ía ficando cada vez mais irritada consigo própria porque como é que se permitia chegar sempre aquele estado?? Como era possível que apesar de todos os seus esforços e tentativas de o esquecer, de se interessar por outras coisas, fazer cursos e estudar, ter a sua vida familiar completamente preenchida, voltasse de tempos a tempos a ficar neste estado??? Para além de que inevitavelmente não conseguia confiar e sentir-se emocionalmente segura com outro homem.

Isto nunca lhe tinha acontecido, ele estava a milhares de km’s de distancia, ele nunca mais a tinha contactado e isto não passava!!! Não havia contacto!! Nem cartas!!! E o mar de lagrimas teimava em aparecer de tempos a tempos e, claro, quando se sentia mais relaxada, mais descansada…..

Será que teria de apanhar um avião e percorrer milhares de km’s para lhe dizer na cara que ele não merecia ter ninguém decente ao seu lado, porque uma mulher decente como ela sempre tinha sido com ele merecia o mesmo tratamento e pelos vistos ele dar-se-ia bem com quem o tratasse na mesma base de desrespeito…. De um momento para o outro!

Sim, porque ele tinha-lhe dito que qualquer homem seria um estupido por não ficar com ela, meses antes quando tinham estado juntos!

Ou seja, ou dizia coisas pela boca fora que depois se vem a verificar que não eram sentidas ou não teve coragem para falar, para lhe dizer como queria a sua vida organizada por prioridades, relegando-a para ultimo lugar, e não foi digno de uma mulher forte, decidida, que o adorava e que sempre o apoiou nas varias decisões que tomou e nos pouco sucessos que acompanhou.

Era um analfabeto emocional, típico….

Não adiantava chorar no molhado!!! Não valia a pena!! Porque não se livrava dele??? Seria preciso ir a uma mãe de santo?????

My Immortal - Evanescence
http://www.youtube.com/watch?v=xK83MXv8kDk