segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Acabava sempre por cair de pé!



Ela acordou e a cama estava vazia ao seu lado.

Já era tarde, felizmente era fim-de-semana, e começou a lembrar-se do que se tinha passado na noite anterior e porque tinha dormido tão mal, porque se sentia tão vazia, tão desamparada de repente.

No entanto, ao mesmo tempo, a sua cabeça, que começava a trabalhar com alguma velocidade, também lhe dizia que na realidade tinha sido inevitável chegar a este ponto.

Sabia bem que os sinais já se apresentavam há muito, muito tempo e que ela tinha optado por ignorá-los.

Mas, se o tinha assim decidido devia-se ao facto de estar farta, farta, farta, de tentar compor a relação, de tentar o diálogo, insistir até à exaustão e não conseguir nada, uma mera conversa…

Anos antes, quando a relação tinha começado, era maravilhoso: o entendimento entre ambos em todos os aspectos, a sintonia, as conversas intermináveis, o prazer de estarem apenas em silêncio, o lerem um para o outro, os fins-de-semana fora de Lisboa com que ele a surpreendia, as outras atitudes que ele tinha para a surpreender e maravilhar e que ela adorava, e correspondia dedicando-se de corpo e alma a ele.

Depois vieram os filhos….Muito desejados mas que sempre provocam um turbilhão na vida de um casal, embora sejam uma bênção e seja sempre um milagre (uso esta palavra não no sentido estrito mas lato) o nascimento de um bebé perfeito, sem problemas de maior, os típicos de qualquer recém-nascido e depois com alguns meses.

E veio também a ascensão profissional dela… com a qual ele não conseguiu lidar totalmente bem.

Esta situação a acrescer ao facto dos filhos também lhe roubarem a ela precioso tempo que antes era todo para ele….

Mas ela fazia tudo e carregava o mundo às costas se fosse preciso… com ele ou sem ele… mas tentou milhares de vezes o diálogo para que a relação se compusesse e sem sucesso.

E assim na véspera, porque ele não tinha aceite uma separação e queria logo o divórcio, ela ficara sozinha em casa, definitivamente, com os seus filhos.

Nada havia a fazer… o tempo trataria de ir arranjado as coisas da melhor forma, e ela teria de ser forte, uma mulher de armas e tratar de tudo sozinho, o que alias já vinha fazendo há um ano ou dois.

Pelo menos não tinha “um peso morto” ao seu lado, irritando-a com a sua inércia e pouco apoio familiar.

Depois deste monólogo consigo própria, espreguiçou-se muito, esticou-se ainda mais, levantou-se para ir esborrachar as suas crias com beijos, elas que já estavam a ver TV, desenhos animados e coisas afim, e para lhes ir preparar o pequeno-almoço.

E assim começava uma nova fase da sua vida.

Parecia um gato, que dizem ter várias vidas, mas que cai sempre de pé.

Assim era ela, mulher de armas e acabava sempre por cair de pé!



It's Raining Again - Supertramp


 


Sem comentários:

Enviar um comentário